Nesta sexta, 06/09, às 21h, a cantora sergipana Héloa apresenta o show Opará no Auditório do Ibirapuera (SP).

Opará é o nome do segundo álbum da cantora, lançado pela YB Music, com 10 faixas, sendo quatro de sua autoria e as demais com diversas parcerias. O disco, que tem o ritmo das águas e da maré como fio condutor das canções, busca também trazer o imaginário do Rio São Francisco, cuja nascente está no estado de Minas Gerais e sua foz em Sergipe, da magia do sertão, dos povos ribeirinhos, dos saberes tradicionais e as diversas formas de resistência, começando pelo próprio rio e seus processos de assoreamento, abandono e mutilações.

Segundo Héloa, o nome “Opará” foi escolhido a partir de uma coincidência que celebra o encontro das águas, do Rio com o mar, e sua grandiosidade em duas tradições muito presentes na vida da cantora. Na língua indígina, Dzibukuá, a palavra Opará que dizer “rio grande como o mar” e é o primeiro nome dado ao Rio São Francisco pelo indígenas, povos originários do Brasil, já na linguagem nagô e para o povo Yorubá, representa a força que atua nas quedas d’água, também no encontro do rio com o mar,  uma divindade que,  para o candomblé,  é a morada de Oxum (Oxum Opará) ou uma qualidade desta, sendo “A Oxum Guerreira” ao qual Héloa tem sua vida espiritual e religiosa dedicada a partir de sua iniciação na religião de matriz africana.

Héloa mora há quatro anos mora em São Paulo mas enquanto pesquisadora das manifestações populares e tradicionais de seu estado e para além dele (tendo sido despertada ainda na infância, percorrendo o interior de Sergipe junto ao seu pai, músico, artesão, folclorista e sua mãe cientista social e Yalaxé no candomblé), motivo sempre retorna a sua terra natal para mergulhar, imergir nesses saberes e renovar-se espiritualmente, através das forças e práticas ancestrais que habitam o universo religioso do Candomblé e nas tradições indígenas (aos quais a cantora foi iniciada e consagrada), e ampliar sua visão de mundo a partir de um olhar descolonizado de quem vivencia as tradições.

Quem assina a produção do álbum são o paulistano Zé Nigro e o pernambucano Maurício Badé, trazendo uma estética diferenciada dos seus anteriores trabalhos. Héloa assina a direção geral e artística e propõe uma construção horizontal e comunitária a partir dos processos de encontros com a nova formação de banda.

A  percussão assume o principal pulso, trazendo entre as vastas referências a presença dos tambores sagrados do candomblé, os atabaques (Rum, Pi, Lé), nas nações queto, angola e nagô, também cumbia,  ijexá, tambor de mina, samba duro, afrobeat, samba-reggae, batuque, além do referencial de rítmos tradicionais do folclore sergipano, o que fulgura um álbum concebido em torno dos referenciais marcados por essas presenças dos diversos povos da diáspora e aspectos culturais amalgamados no Brasil e no mundo e nos diversos diálogos entre estes, principalmente entre as matrizes indígenas e africanas aportadas no País.

São escolhas rítmicas, de timbres e instrumentos africanos aportados no Brasil que vão marcar a base desse projeto, além do diálogo a música negra produzida em países como Cabo Verde, Angola, Cuba e Moçambique e outros. Tudo isso em consonância com os arranjos e timbres que contam com a contribuição do também produtor Zé Nigro que trás para o álbum, baixos, sons sintéticos, programações e timbres que deixam a sonoridade ainda mais quente,  além dos vários instrumentos de cordas (violão de 7 cordas, viola, guitarra) tocados pelo multi-instrumentista, Webster Santos e o toque especial dos músicos Maurício Fleury, Edy Trombone que gravaram as 10 faixas deste trabalho e trazem na bagagem suas pesquisas em torno do universo diaspórico e também sagrado, revelados em projetos aos quais fazem parte como, Bixiga 70, Criolo, Anelis Assumpção, Alessandra Leão, Gilberto Gil, Caetano Veloso e outros ícones da música brasileira.

Em “Opará”, Héloa  também se desafia ainda mais como cantora, compositora e em parcerias. Trás uma voz que passeia entre seus anos de dedicação ao canto lírico e também ao popular, entre a força e a suavidade, carregado de interpretação e sotaque quente o que lhe confere uma versatilidade. Além disso se desafia ainda mais como compositora e em parcerias, como na canção Silêncio com a cantora baiana Luedji Luna, além de ter composições  dos mineiros Sérgio Pererê e luiz Gabriel Lopes, do paraense Saulo Duarte.

O disco também conta com participações muito especiais como Seu Mateus Aleluia, Fabiana Cozza, Mestrinho, dos indígenas da aldeia Kariri-Xocó e o grupo Mulheres Livres (Coral formado dentro do carandiru e composto por mulheres ex penitenciarias, Sul Africanas e Malaias, em um projeto de ressociabilização para mulheres no cárcere por meio da música).

Show Opará

data: 06 de setembro, sexta

horário: 21h

local: Auditório Ibirapuera – SP

entrada: R$ 30,00 (inteira) | R$ 15,00 (estudante)