RIO – “O nosso amor é Kama Sutra”, é juventude”, canta Zeca Pagodinho em “Mais feliz” , faixa-título (composta por Toninho Geraes e Paulinho Rezende) de seu 24º álbum, que chega nesta terça-feira às plataformas de streaming e às lojas de CDs.

– Kama Sutra? Sei nem que porra é essa! Ia até perguntar – confessa, do seu jeito espontâneo, o grande astro do samba carioca, que em 2019 completou 60 anos . –  Ah, é aquele livro? Então eu sei!

A alegria de Zeca está presente não só em seu papo, mas em boa parte das 14 faixas de seu novo álbum de inéditas, recolhidas, como de costume, nos pagodes que promove em seu sítio em Xerém (“quando vejo o calor do povão, sei que vai funcionar”). No entanto, ele dedica, excepcionalmente desta vez, um espaço à crítica política, pondo as cartas na mesa em “Na cara da sociedade”, samba de Serginho Meriti e Claudemir. “Sou carioca, mas sei que meu Rio não anda legal”, manda ele, na letra. Zeca segue deixando a vida levá-lo pelo Rio, como se viu em uma viagem de ônibus, em julho, de seu sítio para o centro de Xerém , e nas visitas quase diárias que faz à sede de sua gravadora, a Universal, na Barra.

– Eu liguei de Curitiba, tinha acontecido alguma coisa braba aqui no Rio, e pedi esse samba – conta Zeca. – Tá difícil, eu não consigo mais ir ao morro, frequentar um samba, ir à tendinha, tomar uma cerveja, é muita violência. Tem que dar estudo às crianças, senão a tendência é piorar.

(fonte: https://oglobo.globo.com/cultura/zeca-pagodinho-nao-consigo-ir-mais-ao-morro-23952170)